As aventuras diárias de uma mulher que já chegou aos 30, em cima do salto (do alto de um tamanquinho cor de rosa choque!) e FELIZ DA VIDA. Críticas, sugestões, experiências a compartilhar, receitas de pratos saborosos, por favor, escreva para meninasde30@yahoo.com.br.

Se eu fosse você ia lá olhar as coisas que ele vê quando olha para o céu...

Vou aqui e leio sempre (apesar de nem sempre comentar)...:

A patifariatotal
Balanço de dez em dez
Drops da fal
Enfim
Escrevira
Focando
Garotas que dizem ni
Lucidez embriagada
Mme. Mean
Mafalda Crescida
Megazona
Megeras Magerrimas
Mondo Redondo
Ninguém lê essa porcaria
Não discuto
The Garden
Urdidura

Pelo menos uma vez por dia...:

Google

Arquivos:


on-line


Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com



Templates e Dicas by Civana

This page is powered by Blogger

MENINAS DE 30



Quinta-feira, Junho 29, 2006

Da série Coisinhas de morar sozinha.
Post piloto.


É indiscutível a delícia de morar sozinha. Poucas, mas bem poucas, coisas trazem maior sensação de liberdade e independência do que viver às suas próprias custas, como que dizendo, diariamente - e sem nenhuma mágoa -, ao mundo: eu me viro. Podem ser - e geralmente são - divertidos até os momentos mais complicados, como quando a fatura de seu cartão de crédito atingiu níveis estratosféricos e você resolve que vai viver dos restos de alimentos que ainda há no armário da cozinha, precisamente aqueles que não foram consumidos por puro arrependimento da compra, sabe? E é assim porque o cotidiano da vida de quem mora só traz tantos momentos gratificantes que os, assim ditos, complicados não estragam o prazer. Afinal, só quem mora sozinho pode compreender, em sua plenitude, o aconchego infinito do seu próprio lar. Os momentos de silêncio restauradores. Os banhos no escuro de porta aberta, regados com música suave, no volume exato para ouvir embaixo do chuveiro. Todos os pratos e copos empilhados na pia, dias a fio, até que você tenha paciência para lavá-los. Nenhuma disputa pelo controle remoto. Luz acesa no quarto para ler de madrugada. Deixar o DVD no pause enquanto vai pegar pizza ali pertinho. Andar pelado por todo o fim de semana. Morar sozinho é não precisar fazer concessões. Não precisar abrir mão do que se quer e quando se quer e como se quer. Claro, não é - nem precisa ser - uma opção definitiva. Claro, tem espaço para boas companhias, pois morar sozinho não significa fazer voto de celibato ou coisa que o valha. Mas, você precisa reconhecer uma hora ou outra que, vivendo desse jeito, cai a ficha e vem faceira e sorridente a percepção de que, para abrir mão de viver sozinho, putz, tem que valer muito a pena...



:: postado por Menina de 30 #5:20 PM


Sexta-feira, Junho 23, 2006

Da série Diálogos Curiosos


She: Deixa eu tentar te explicar como me sinto. Imagine que um gênio aparecesse na tua frente e dissesse: você pode escolher uma, e apenas uma, atividade para se dedicar profissionalmente até o resto da sua vida. O que você diria?

He: Gênio, você é um filho da puta.



:: postado por Menina de 30 #10:44 AM


Quinta-feira, Junho 15, 2006

Da série Lembranças de primeiras vezes


Lembro até hoje daquela primeira vez. Tomei coragem e fui fazer minha primeira compra séria no supermercado. (Por compra séria entenda-se a aquisição de carne, arroz e outros alimentos fora do padrão lanchinho). Precisava de coragem, afinal o preço de um quilo de carne de média qualidade lá era mais do que quatro vezes o preço, da mesmíssima carne, aqui. Coragem, cartão de crédito na mão, lá fui eu. O plano era fazer um strogonoff, minha especialidade na época. O strogonoff da paz. Havíamos tido uma briga séria daquelas de início de namoro, sabe? E ficamos ali pertinho, pertinho de nos separarmos. A idéia era falar, culinariamente, desculpe, sou uma besta mimada, mas quero ficar com você. Me empolguei nas compras, of course. Lembro de uma caixinha mini de temperos que me enlouqueceu. Potinho transparente, sextavado, com uns oito compartimentos diferentes, cada um com um tempero e uma tampinha própria. Somente identifiquei o curry, mas a pequena engenhoca era tão charmosa que não resisti. E foi assim em todas as gôndolas analisadas... Tantas, tantas, tantas coisas charmosas, desconhecidas, convidativas. A cada parada, me dizia: como alguém pode morar sozinho sem ter isso no armário? Resultado? Catastrófico. Mais de oitenta dólares numa idazinha ao mercado. No cartão, é bem verdade. Mas, não menos doloroso. Eis que, finalmente, saio do mercado, by the way chamado Esselunga, ali perto da estação de Lambrate. Umas sete sacolas na mão. Pequenas, mas rechonchudas. Orgulho daqueles da primeira compra séria feita em dois meses. E eis que, dois passos depois, começou. A neve. Primeira vez que a via cair do céu em floquinhos pequenos, até derreter no chão. Lembro de ter lamentado ter sete sacolas na mão e me sentir tão imobilizada e impotente. Lembro de ter passado uns cinco minutos decidindo se iria a pé para casa, se pegaria o ônibus ou se iria de táxi. Lembro de ter, finalmente, decidido pegar o táxi depois de ter esperado o ônibuos por uns dez minutos. Lembro que o motorista do táxi não tinha troco e me deu um sorriso daqueles calorosos, dizendo que eu não precisava pagar porque a corrida tinha sido muito curta. Lembro que subi os três andares de escada com um sorriso no rosto. Lembro que, quando cheguei lá em cima, fui para a janela da cozinha, que dava para a frente do prédio, e fiquei olhando hipnotizada a neve cair. Lembro que, naquele dia, pela primeira vez, me senti absolutamente em paz, mesmo estando a dez mil quilometros de tudo o que eu jamais conheci.



:: postado por Menina de 30 #1:34 AM


Segunda-feira, Junho 12, 2006

E porque hoje é dia 12...





E ele vai te penetrar as entranhas. Vai te fazer frágil. Vai te fazer forte. Vai percorrer todos os teus espaços em branco. Vai levar calor por cada centímetro de pele por onde passar. Vai causar frio em lugares estratégicos.

E ele vai aumentar tua temperatura para 40º. Vai te causar convulsão. Vai te fazer delirar. Vai criar uma realidade louca, incompreensível, inimaginável. Vai te fazer alternar sonhos e pesadelos.

E ele vai te causar dor. Vai te fazer chorar. Vai te trazer melancolia. Vai te deixar assim desamparado. Vai te sugar as energias. Vai te fazer perder o rumo. Vai te deixar desnorteado. Vai te fazer exímio mordedor do próprio rabo.

E ele vai te fazer especialista, expert em tudo e coisa nenhuma. Vai te deixar atento aos pequenos detalhes, às grandes sutilezas. Vai te mostrar as nuances, as milhares de tonalidades cinzentas entre o preto e o branco. Vai te fazer maduro. Vai te mostrar alguns preços exorbitantes.

E ele vai te fazer inquilino do teu próprio corpo. Vai te tomar de assalto. Vai te cuidar. Vai te negligenciar. Vai te preencher por completo. Vai te deixar vazio. Vai ser teu melhor amigo. Vai ser teu pior inimigo. Vai te fazer alternar entre sim e não.

E ele vai te abandonar nas madrugadas nubladas. Vai te fazer companhia nas manhãs de sol. Vai caminhar ao teu lado de mãos dadas. Vai te fazer feliz. Vai sair radiante naquela tua foto sorridente.

E tem horas em que você o chamará de ódio. E tem horas em que você perceberá que é amor.




:: postado por Menina de 30 #3:24 PM


Quinta-feira, Junho 08, 2006

Quando?


Quase 20 anos tendo o mesmo sonho, o mesmo objetivo. Sabe o que é isso? Todas as maiores dores já sentidas de algum modo relacionadas à não realização desse sonho. E os maiores momentos de felicidade, real ou fictícia, coincidindo com a sensação de estar muito próxima de concretizá-lo. Aí, um dia, surge uma angústia inexplicável no peito. Uma dor que não tem razão de ser. Sensação de incompreensão. Vontade de fugir. O chão embaixo do pé que fica instável. Para descobrir, pouco depois, o motivo. Ele mudou. O sonho. Deixou de ser tão importante. Olha só que extraordinário: não somos só nós que mudamos...



:: postado por Menina de 30 #10:41 PM


Segunda-feira, Junho 05, 2006

Se eu fosse você...

...
ia lá olhar as coisas que ele vê quando olha para o céu.
E resolveu compartilhá-las
...





:: postado por Menina de 30 #5:15 PM


Sexta-feira, Junho 02, 2006

POST DESPEDIDA HOMENAGÍSTICO.
PARA E POR ROBERTA ARABIANE.



A pior coisa de ir embora é a perspectiva de ser esquecido. A pior coisa de ficar é o temor de esquecer quem foi. A Ro, ou Roberta Arabiane para os íntimos, anunciou sua partida ontem. Virou ex-megera. E o meu jeito de me despedir é dizendo que ela não corre o risco de ser esquecida por nós que ficamos. Porque há tanto, tanto, tanto dela, em textos que, nunca, nunca, nunca, vamos esquecer...


RE-CONHECER



Eu sou o que há de outros em mim. Restos de choro e riso, de calor e envergadura, de água e cachaça, de limão e creme dental, de açúcar e carvão. Fragmentos de outros corpos, outros sonhos, outros pecados, outras angústias, outras descobertas. Remendos de tentativas inúteis e triunfais, de fracassos que deram certo, de amanhãs mil vezes recomeçados, de acalantos só, de ventre vazio, de perdidos encontros. Como uma colcha de fuxicos, eu sou o colorido de outros seres cerzido com o arame de amores nem sempre sãos, nunca de todo débeis. Frações de histórias vermelhas, azulejos trincados, músicas de ninar, cerveja barata, roupa suja lavada na rua, sussurros floridos. Amores de construção. Pedaços de vaidade, exibicionismo, pudor, compaixão, sordidez, desvelo, veneração, de medo e rouquidão. Conceitos arruinados, raivas partidas, virtudes desmanteladas, carinhos oferecidos, gargalhadas compartilhadas. Amores de unificação. Essa dureza que vês, cabe na palma de tua mão, por que eu sou o que há de outros em mim. E se não fosse assim, não seria tua.


Eu estou feliz. Eu sei que é egoísmo, mas eu vou dar o melhor de mim. Eu sei que em algum momento eu vou errar, mas eu vou estar tentando acertar sempre. Eu sei que não vai ser fácil, mas nada na minha vida foi fácil. Eu sei que nunca vou me arrepender. Eu sei que estou me preparando para isso há oito anos e que poderia ficar uma vida inteira me preparando e ainda assim faltar tempo, então talvez essa não seja uma má hora. Eu sei que meus dias não serão mais os mesmos, que meu olhar não será mais o mesmo, que minhas mãos não serão mais as mesmas. Eu sei que a única forma de amor no meu peito é o incondicional, então talvez eu não vá ter muita dificuldade de adaptação afinal. Eu sei que é preciso ter paciência e que muitas vezes eu sou ansiosa então além de feliz eu vou me tornar uma pessoa melhor. Mas é um amor tão grande, tão mais grande, tão muito mais grande do que qualquer outro que eu já tenha sentido e eu não quero abrir mão. Eu sei que nunca mais eu vou ser infeliz na minha vida por que é um amor de amar para sempre.


Des-cobrir



Em ti tenho um jardim salpicado de esperanças. Sou toda flores e arbustos e meu sustento de-leito é a seiva da tua carne.

Em ti tenho o perfume de galáxias ainda não descobertas e desde há muito procuradas. Sou o branco e o trovão e amanheço com o cheiro de tuas secreções.

Em ti tenho a imensidão do subterrâneo e a profundidade do que não é perceptível a olhos nus. Sou o suor lamacento dos teus poros escorrendo sísmico até os testículos.

Em ti tenho um corpo-cálice que me liberta. Sou calmaria e mansidão e descubro na íris dos teus olhos a escondida e assustadora visão da fêmea.


Você já amou alguma vez na vida? Já amou tanto que os pulmões começaram a reclamar da ausência de ar, por que seu cérebro simplemente não concatenava nem as tarefas involuntárias quando o ser amado estava perto? E as estranhas se desfalecendo, você percebeu? Bem devagarinho, como uma semente que se insinua através da terra. Você já amou a ponto de esquecer o mais sagrado dos pensamentos? A ponto de morrer cada dia mais um pouco e ir definhando sutilmente com o olhar de perto/longe? Sentiu o peito se rachar como uma jaca podre caindo no chão diante de um olhar do ser amado? Um simples olhar. Não, um simples olhar, não. Um olhar seguido de um sorriso. Sentiu? Você já amou tão desesperadamente que a única coisa que realmente importava era a felicidade do seu amor? Não a sua, a dele. Mas a felicidade dele não é a sua, perguntaria você. Sim, é isso mesmo. Você já amou desse jeito? Já tombou diante do ser amado sem medo do ridículo? Deixou ele ver sua fragilidade e sua feiura? Permitiu que ele chegasse tão perto assim? Você amou alguém até perceber a diferença entre viver e existir? E entre caminhar e pairar, entre olhar e enxergar? Você já amou alguém até se perguntar se conseguiria fazer isso novamente? Já?
Legal! Me solidarizo.



TODO TIRANO NO FUNDO É UM FRACO


Sabem o que acontece quando um merda consegue alguma parcela mínima de poder? Ele faz merda, evidentemente. Mas vocês sabem porquê ele faz merda?

Faz por que ele tem a exata noção do quão ínfimo e pequeno é o seu talento, ainda que inconscientemente. Ele admira a criatividade, o senso crítico, o espírito livre e empreendedor, a liderança natural, a extroversão, o carisma, o bom humor do outro, mas não reconheci em si mesmo a capacidade de desenvolver estas características. E como não é capaz de absorver e expandir as características que admira no outro mas não enxerga em si, ele se ressente. Ele inveja.

Contudo, o merda não sabe que é um ressentido, um invejoso. Eventualmente, ele acha que foi injustiçado por Deus, e não por acaso crê ser injustiçado pelos homens em geral. Por que todos paparicam a Fulaninha se eu sou tão mais legal que ela?! Por que, Senhor, as pessoas fazem tudo que o Sicraninho diz se nem chefe o Sicraninho é?!

O merda não está no mesmo degrau, está alguns degraus abaixo. Sabe disto. Sente isto. Jamais admite isso. E como ele precisa chegar ao mesmo patamar e não reconhece em si qualidades suficientes para subir, a única alternativa é fazer com que os que estão em cima desçam até ele. Só que aqui surge um probleminha: alguns estão muito acima dele e, por mais que ele se estique, não conseguirá alcançá-los. Resta aqueles que estão acima, mas não muito: o merda precisa de companhia.

Ele fará tudo o que estiver ao seu alcance para fazer com que as pessoas mais talentosas, mais inteligentes, mais gabaritadas (mas que não estejam tão longe dele a ponto de não alcançá-las), desçam até o seu nível. Usará de todos os artifícios: humilhação, berro, ridicularização, sátira, egoísmo, opressão, ultraje, vexames morais e até ofensas. Vale jogar qualquer pedra para que o outro não se dê conta da superioridade, para que o outro ache que ele, o merda, é o maior ou, caso não ache, seja obrigado a admitir. Não importa se é forçado: o simples ato de admissão de que ele é o melhor, o mais gostoso, o que tem o pau maior, o mais rico, o mais poderoso, o mais inteligente... basta para o seu ego imaturo se alimentar um pouquinho.

Vocês já notaram que este procedimento sempre ocorre com quem não tem condições de responder a altura? O merda sempre exerce seu poder com quem depende financeiramente dele (e fará tudo pra que está dependência nunca termine), com quem não pode afrontá-lo moralmente (filhos é um bom exemplo), com quem não tem artícios articulados de defesa. O merda sempre ataca alguém que não tem a exata noção de seu valor. Alguém que se acha menos, embora não seja.

Agora o que eu gosto mesmo é ver a cara de um merda quando ele se depara com um trator. Alguém que o enxerga, exatamente como ele é e deixa isto bem claro. É um prazer inenarrável. Quem sabe que é bom não tem necessidade de mostrar isto aos outros, e a si mesmo. É e pronto.


O coraçãozinho dele parou de bater. O meu ainda bate, sem bater.

Todos os textos foram extraídos do site Megeras Magérrimas (www.megeras.com), arquivos de 2003 a 2006

Vai com Deus, linda.


:: postado por Menina de 30 #4:45 PM

(c) copyright by Civana, 2003