As aventuras diárias de uma mulher que já chegou aos 30, em cima do salto (do alto de um tamanquinho cor de rosa choque!) e FELIZ DA VIDA. Críticas, sugestões, experiências a compartilhar, receitas de pratos saborosos, por favor, escreva para meninasde30@yahoo.com.br.

Se eu fosse você ia lá olhar as coisas que ele vê quando olha para o céu...

Vou aqui e leio sempre (apesar de nem sempre comentar)...:

A patifariatotal
Balanço de dez em dez
Drops da fal
Enfim
Escrevira
Focando
Garotas que dizem ni
Lucidez embriagada
Mme. Mean
Mafalda Crescida
Megazona
Megeras Magerrimas
Mondo Redondo
Ninguém lê essa porcaria
Não discuto
The Garden
Urdidura

Pelo menos uma vez por dia...:

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MENINAS DE 30



Sábado, Dezembro 31, 2005

Retrospectiva 2005.
Ou o post da nova caminhada.

Me despeço, no silêncio povoado de lembranças, daquela que fui. Vou caminhando em direção a essa nova época, a esse novo tempo, com corpo sem marcas. Recém nascida para a vida que escolhi, parida do próprio crescimento, batizada pela alegria de sair da casca. No caminho, ficam os pedaços que foram caindo para me fazerem quem hoje sou. Amor que pensei ser maior do que eu mesma. Tristeza pelas perdas sofridas. A sensação de fracasso por projetos não executados. Os sonhos nunca realizados. Todos eles espalhados pelo caminho em que caminhei, como pedaços de placenta e de cortão umbilical que, com muito custo, consegui cortar. Jamais tão nua, jamais tão livre, jamais tão leve. Me despeço, no silêncio povoado de lembranças, daquela que fui. E dou os passos mais firmes de todos, porque ando de braços dados com aquela que descobri ser.



:: postado por Menina de 30 #12:17 AM


Quarta-feira, Dezembro 28, 2005

Porque eles não combinam mais com quem você é


Então você, mulher moderna, bem resolvida, independente, socialmente consciente, antenada com tendências sociológicas, filosóficas, místicas e talz, resolveu aderir ao feng shui. Respirou fundo, ficou rezando em silêncio e se desfez daqueles 5 pares de sapatos que foram seus companheiros por loooooooongos períodos. Justamente aqueles que estiveram nas melhores festas (possivelmente se acabaram com você na hora de dançar e os males espantar) e nos piores momentos (possivelmente guiaram você, de cabeça erguida, para a saída depois de mandar alguém para aquele lugar). O que são, contudo, essas lembranças perto da sensação de estar desocupando espaço para coisas novas entrarem na sua vida? Abraço carinhoso, troca de olhares significativas e você manda os sapatinhos embora porque não é boba nem nada.

Surpresa com o desapego que descobriu escondido em alguma entranha profunda de si mesma, agora as grandes faxinas - em armários de cozinha, guarda-roupas, escritório, etc - são um hábito comum em sua vida. Quanta maturidade, quanto desapego. Puxa vida, você está pronta para a alta na terapia. Passa mesmo a se achar uma mistura requintada de Sarah Jessica Parker com Madre Teresa de Calcutá. Lindo, lindo mesmo. Até que, num determinado momento, vem a pergunta: o que lhe impediu de se desfazer daqueles sentimentos e crenças que se tornaram inúteis em sua vida e passaram a ficar entulhados como tranqueiras dentro de você? Os exemplos são tão numerosos que você poderia passar diaaaaaaaaaaaaaaaaaas contando.

A mania de achar que seu método de trabalho (deixar tudo para a última hora) é terrível, apesar de você jamais ter perdido um prazo, nem tampouco ter deixado a qualidade cair. A crença de que precisa ser a "patroa" para algum homem, apesar de você ter aprendido a ser dona de si mesma há tanto tempo. Aquele amor voraz e incadescente, mas solitário, que não combina em nada com o que você se descobriu digna de receber da vida. O medo de não ser aprovada por seu desempenho, quando você já se deu conta de que shit happens e, tantas vezes, o seu melhor é suficiente para alguns mesmo. Aquela tendência ao vitimismo, absolutamente incompatível com a coragem que você descobriu em si mesma nos últimos tempos.

Então você, mulher moderna, bem resolvida, independente, socialmente consciente, antenada com tendências sociológicas, filosóficas, místicas e talz, resolveu aderir ao feng shui. O que te impede de abrir mão desse modo de pensar e sentir que não combina, absolutamente, com quem você descobriu ser? Ou, de modo muito mais simples, por que o exercício do desapego somente funcinona para coisas materiais? Pára tudo. Fica imóvel. Pensa. Reflete. Be a man. Porque as tranqueiras acumuladas num armário são fichinha perto daquelas que estão amontoadas dentro de você.

Vai lá. Faz o inventário completo. Separa o joio do trigo. E prepare-se para abrir mão de tudo o que está aí dentro e você não vai mais precisar. Talvez você precise do ritual da despedida. Olhar todos esse sentimentos e crenças nos olhos, dizer-lhes que, lamentavelmente, dentro de você já não há espaço para tranqueira e ir embora, de cabeça erguida, em cima do salto daquele sapato podre de chique recém adquirido. Mais precisamente aquele par que agora ocupa o espaço deixado na última arrumação do armário... sacou?



:: postado por Menina de 30 #1:20 AM


Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

Você está trabalhando ensadecidamente para cumprir um prazo importante. Fica com consciência culpada se percebe, ao fim do dia, que dedicou menos do que 6 horas ao tal prazo. Aí, numa jornada particularmente inspirada, em que conseguiu trabalhar nisso umas 9 horas de um dia glorioso de sol, você resolve, antes de dormir, permitir-se um momentinho de lazer, ali por volta da 1 da madrugada (quando todas as outras pessoas com um mínimo de bom senso estão bebendo prosecco). E se depara com um post como esse (que a desalmada, muito sonsamente, chama de "Para que se estenda além do natal"...). E lê umas quinhentas vezes. E se põe a chorar copiosamente, como se, aqui dentro, tivesse sido aberta alguma represa secreta...



:: postado por Menina de 30 #12:57 AM


Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Votos sinceríssimos





Pensei por muito tempo o que gostaria de desejar-lhes para o próximo ano. E a resposta só há pouco me ocorreu. Desejo-lhes encontros. Tantos encontros - importantes, significativos, emocionantes. Encontro com o próprio medo e insegurança, em que possam acreditar que o destino é apenas a história que resolvemos escrever. Encontro com a vida que acontece sob o sol quente de um dia de verão, em que possam perceber que a felicidade sempre está nas coisas simples. Encontro com as dificuldades, em que possam se dar conta do quanto são amados pelas pessoas que os rodeiam. Encontro com o sucesso, em que possam descobrir a alegria que a generosidade pode trazer. Encontro com a fragilidade, em que possam se descobrir humanos, falíveis e absolutamente perfeitos na imperfeição. Encontro com a verdade, em que possam se dar conta de que nada pode ser tão reconfortante quanto a realidade - do jeitinho que ela é. Encontro com a resignação, em que constatem a força que está na aceitação das coisas que não podem mudar. Encontro com o amor, em que sintam que nenhuma benção é tão maravilhosa. Encontro com a gratidão, em que confiem irrestritamente na infinita bondade do Homem Lá de Cima. Encontro com a fé - inclusive e especialmente em si mesmos, porque é nela que está o começo, o meio e o fim.

Desejo-lhes encontros. Desejo-lhes crescimento. Afinal, se é nele que está o sentido da própria vida, certamente as oportunidades de crescer são o melhor motivo para encerrarmos esse ano com a consciência em paz do dever cumprido e a infinita esperança de dias felizes no ano que se aproxima.



:: postado por Menina de 30 #4:00 PM


Terça-feira, Dezembro 20, 2005

Da Série Diálogos Curiosos





Moça-que-se-orgulha-de-ser-perua-mas-também-é-intelectualizada: Olha, eu comparo a escolha do título de um artigo com usar uma bolsa dourada. Como você foi pretensioso, precisa, ao longo do texto, ser muito clean, para não ficar over...

Moço-que-é-intectualizado-e-nutre-certo-preconceito-com-peruas: Então, acho que o título do meu trabalho foi mesmo uma bolsa dourada. Por isso, procurei ser bem básico na minha exposição...

Moça-que-se-orgulha-de-ser-perua-num-momento-de-grande-emoção: Pelos poderes investidos pela minha religião, te batizo "PERUO INTELECTUAL"!!!



:: postado por Menina de 30 #3:22 PM


Sexta-feira, Dezembro 16, 2005

Home sweet home


Tantos foram os partos. E as crianças tão intensamente belas quanto foi doloroso pari-las. Mas nenhuma jamais foi tão bonita quanto esta. Ou tão esperada. Ou tão intensamente amada. Minha casa, meu lar, meu cantinho. Fazem alguma idéia do que é isso? Vou lhes contar.

É aqui que moramos há uma semana. Eu, meus sonhos, minhas esperanças, minhas lembranças, minhas histórias. Estamos convivendo lado a lado embalados pela música suave que sempre rola no som - da sala ou do computador (no escritório) - porque a minha casa precisa ser como meu carro: enquanto estou lá dentro, precisa rolar uma trilha sonora. Nela, quero decorar todos os CD´s que já conheço de cor. E fechar os olhos me transportando para qualquer lugar enquanto ouço a música.

Na minha casa, eu sinto saudades cada vez que estou fora. Porque nela rola uma energia especial, vulgarmente conhecida por felicidade, que se faz sentir nos cheiros das comidinhas gostosas que preparo no meu fogão e na essência lavanda que há nos produtos de limpeza, na parede colorida da minha sala, nos móveis que refletem o meu gosto, na louça branca que ganhei de presente, na TV a cabo que já instalaram, no telefone que só toca para mim. Porque na minha casa, tem luz que entra pelas janelas grandes, típicas de apartamento antigo, janelas que dão para um inacreditável bosque, apesar de estar a 5 minutos do centro.

Na minha casa, mora também doçura infinita ao alcance um piscar de olhos. Basta que eu lembre da benção das pessoas que hoje fazem parte da família que escolhi, quando contei da minha decisão. Basta que eu lembre da minha muito sábia amiga oriental, que não apenas arrumou todos os detalhes do "negócio", compartilhou suas lembranças antigas e preciosas de tempos felizes e especiais, mas mostrou uma generosidade comovente de doer no coração. Basta que eu lembre da minha preciosa irmã de vida, que numa ligação de 5 minutos me disse para ir porque ela seguraria a onda se precisasse. Basta que lembre dos demais integrantes do trio parada dura que aceitaram, de pronto, formar esquadrão para reforma e pintura, que acabou não sendo necessário (para o bem das paredes. ahahah). Basta que eu lembre da minha mãe dizendo que eu contaria com todo o apoio de que precisasse. A minha casa será doce porque foi batizada pelos padrinhos mais especiais que alguém pode arranjar.

Minha casa é grande o suficiente para acomodar com carinho todos os meus objetos queridos, acomodados ao longo de uma vida. Meus livros, minhas bolsas, meus sapatos, a papelada de que não consigo me desfazer não importa quanto tente. A minha casa é grande o suficiente para nela caber a bagunça que faz parte de quem eu sou - e amo ser. É um espaço tolerante e auto-ajustável.

Minha casa é o lugar mais especial do mundo. Porque foi ele que encontrei quando me permitir crescer o suficiente para ser eu mesma.



:: postado por Menina de 30 #12:00 PM


Quarta-feira, Dezembro 14, 2005

Da Série Diálogos Curiosos



Cenário: Apartamento meio-cheio-meio-vazio na penumbra, em vista de inesperado corte de energia, por volta das 21:30h.

Personagens: Moça-solteira-em-momento-de-interessante-leveza e moço-solteiro-alegadamente-regenerado.

Contexto: Moça-solteira-em-momento-de-interessante-leveza manda torpedo. Onde estás tu? Toca o celular.

Moça-solteira-em-momento-de-interessante-leveza: Alô.

Moço-solteiro-alegadamente-regenerado-com-voz-de-gato-que-engoliu-o-canário: Em casa.

Moça-solteira-em-momento-de-interessante-leveza: Hummmmmm. Te liguei porque faltou energia. E está escuro aqui.

Moço-solteiro-alegadamente-regenerado-com-voz-de-gato-que-engoliu-o-canário: Você tem medo de escuro?

Moça-solteira-em-momento-de-interessante-leveza: A energia acaba de chegar. Vou guardar essa resposta para o próximo corte, ok? Boa noite.

Moral da história: Ser canalha é como andar de bicicleta: depois que você aprende, nunca esquece.


:: postado por Menina de 30 #3:55 PM


Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

(des) CONTROLE


Corpo em estado de sítio. Dona Cabeça quer ser mega-racional, com algumas nuances de grande vidente: fica gritando roubada-da-da-da-da-da. Seu Coração anda zangado, meio emputecido-e-meio e se Dona Cabeça lhe olha torto já atravessa um estou pouco me lixando porque eu não quero ficar longe.... Meninas Mãos ainda são novinhas demais para entender quem deve ganhar a parada e, enquanto Dona Cabeça e Seu Coração partem para porrada, elas resolvem fazer arte. E discam aquele número. E passam meia hora se entreolhando deliciadas. Ah, crianças sem juízo...



:: postado por Menina de 30 #11:51 PM


Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

Inventário das primeiras vezes importantes


Primeiro dente de leite perdido. Primeiro beijo. Primeira melhor amiga de todas. Primeira grande paixão. Primeiro sutiã. Primeiro dia de aula na faculdade. Primeiro namoradinho. Primeiro carro. Primeiro salário. Primeiro celular. Primeira vez. Primeira viagem transoceânica. Primeiro artigo publicado. Primeira mudança. Primeira vez que chamaram a casa em que vou viver até domingo de casa da minha mãe.



:: postado por Menina de 30 #10:50 AM


Terça-feira, Dezembro 06, 2005

Da Série Diálogos Curiosos


Moça-com-novos-planos-em-mente: Por favor, torce por mim, porque preciso dar um passo importante.
Moça-super-descolada: Merda pra você. É o que se diz na vida artística para desejar sorte, sabe?
Moça-com-planos-em-mente-ainda-não-saída-da-crise: Com que, então, merda dá sorte?
Moça-super-descolada: Sim. Quer dizer exatamente isso.
Moça-com-planos-em-mente-em-momento-cínico-descontrol: Pois veja você. Esse tempo todo estava nadando num mar de merda. E só agora descubro que isso tem um significado positivo... Sou a pessoa mais feliz do mundo e nem sabia. A vida é mesmo complicada.



:: postado por Menina de 30 #11:33 PM

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