As aventuras diárias de uma mulher que já chegou aos 30, em cima do salto (do alto de um tamanquinho cor de rosa choque!) e FELIZ DA VIDA. Críticas, sugestões, experiências a compartilhar, receitas de pratos saborosos, por favor, escreva para meninasde30@yahoo.com.br.

Se eu fosse você ia lá olhar as coisas que ele vê quando olha para o céu...

Vou aqui e leio sempre (apesar de nem sempre comentar)...:

A patifariatotal
Balanço de dez em dez
Drops da fal
Enfim
Escrevira
Focando
Garotas que dizem ni
Lucidez embriagada
Mme. Mean
Mafalda Crescida
Megazona
Megeras Magerrimas
Mondo Redondo
Ninguém lê essa porcaria
Não discuto
The Garden
Urdidura

Pelo menos uma vez por dia...:

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MENINAS DE 30



Quinta-feira, Julho 02, 2009

Vitória, a quarta


Foi agora no dia 23 de junho que ela nasceu. Já tem 9 dias de vida. Ao que tudo indica, herdou o gene boêmio da família paterna, a julgar pelo curioso hábito de dormir o dia inteiro e varar as noites acordadas, rodeada dos pais sonolentos de primeira viagem.

Te amo, sobrinha linda da titia.




:: postado por Menina de 30 #11:15 PM




Steps


Há mais ou menos três meses, decidimos, eu e namorado que juntaríamos nossas vidas – e todas as coisas menores que fazem parte delas, isto é, roupas, móveis, contas, etc. Isso estava meio que subentendido há mais tempo, mas passou a ser dito, e virou realidade.

A idéia era, no início, alugar um apartamento grande o suficiente para cabermos nós, todas as nossas coisas e os sonhos bonitinhos, e juntar os paninhos bem quietly a curto prazo. Começamos a procurar e achamos imóveis inaceitáveis, seja porque pequenos demais, seja porque estavam sendo alugados por valores impraticáveis.

Um belo dia, paramos, pensamos duas vezes e concluímos que não fazia o menor sentido continuar alugando, nessas condições. Tomamos fôlego e começamos a procurar um imóvel para comprar. Mas, comprar um imóvel, puxa vida, é pensar todo um projeto de vida.

Casa ou apartamento? Novo ou usado? Imóvel com área maior no subúrbio ou menor em bairros com melhor localização? Claro, a resposta a essas perguntas supõe que outras tantas sejam resolvidas. Gramado, cachorro amigo de estimação e churrasqueira para os dias de sol no quintal? Ou a segurança de uma garagem no subsolo com portaria 24 horas?

No meio disso tudo, para uma pergunta, a resposta foi certeira. Um belo e redondo sim, inspirado por um anel delicado, que, há três semanas, mora confortavelmente na minha mão direita.

A busca pelo futuro lar agora ganhou ânimo novo...

Fazia tempo que não dizia isso por aqui, mas, life is beautiful...



:: postado por Menina de 30 #11:11 PM


Domingo, Maio 03, 2009

18


Não foi fácil.

Há um ano, quase o fim chegou. E a única coisa que o fez ir embora, a passos velozes, foi a tristeza infinita que tomou conta de mim - e dele. Passamos uma semana inteira afastados, ao final da qual nos encontramos. Era uma sexta, e resolvemos ir sozinhos no mesmo lugar ao qual íamos juntos para encontrar os velhos conhecidos. Ouvimos a mesmíssima trilha sonora, tocada pela mesmíssima banda. E ficamos tristes, tristes, tristes, pois estávamos cada um numa mesa, com os respectivos amigos, tentando não olhar um na direção do outro.

Aquela sexta foi f*da. Mas, em mim, deixou a certeza de que ainda não era hora de acabar. A bem da verdade, estava disposta a acreditar firmemente em qualquer coisa que fizesse aquela dor ir embora. Então, depois de promessas que pareciam difíceis de ser cumpridas, resolvemos tentar de novo.

Foram mais ou menos mais seis meses fazendo pequenos ajustes, para que fosse possível cumprir as grandes promessas.

E já faz um ano que o fim foi embora. E já faz seis meses que, olhando em direção ao futuro, fazemos planos tão bonitinhos.

São dezoito meses de um porção de coisas vividas.

De brinde, a vida me deu um companheiro para tudo e para todas as horas. Alguém com quem posso falar de tudo - e efetivamente falo. Um amigo, um amante, um cúmplice, um sócio. E eu não sei se vai ser para sempre - quem sabe? Mas, abençoado seja Vinícius, está sendo tão infinitamente lindo enquanto dura.




:: postado por Menina de 30 #9:53 PM


Terça-feira, Março 17, 2009

Já é ano novo.
Há quase três meses.



Oh, my god, oh, my god, oh, my god. São quase três meses sem vir aqui. Dessa vez, quase rachou... mas, vam'bora que tem coisa!

Tal como previsto, esse ano começou mais doce, porque com carga de trabalho menos pesada. Agora, são só dois empregos. E, diante disso, tenho quatro noites inteiras só para mim ou, melhor, para o que eu quiser fazer. Confesso que, nas primeiras semanas, eu quis fazer nada. Me entupi de doses cavalares de novela das oito, seriados, DVD do Friends e muitos jantares românticos com meu fofo. Agora, o equilíbrio está, benzadeus, voltando. E a pessoa lentamente sai da letargia e faz planos para aproveitamento de suas noites, que envolvem, entre outras coisas, a escolha de uma atividade física guiada unicamente pelo prazer. Diliça, diliça, diliça.

* * *


Com o Menino Do Dedo Verde, tenho voltado a refletir sobre a importância dos, por assim dizer, autolimites. Eles me ajudaram a voltar para uma rotina saudável just in time. Uma semana depois do retorno, fiz exames de rotina e descobri alterações significativas - e inéditas - na glicemia e no colesterol. Deus sabe que, se já não estivesse engajada em projetos de mudança, o susto teria sido muito maior do que foi. Agora, ando com os resultados na bolsa e de vez em quando olho para eles, para não me permitir esquecer.

* * *


Comprei um carrinho novinho, depois de quase sete anos me locomovendo com o mesmo. Até então, os três carros que tive foram presentes dos meus pais. Esse foi um presente de mim pra mim. Um presente lindo, possante, preto e reluzente. Eu tenho 18 anos novamente, god bless...

* * *


Para os que tinham dúvidas a respeito, anuncio solenemente que continuo estudando alemão. Estou no terceiro nível. Pelas informações até então obtidas, são uns quatorze níveis ou, mais ou menos, sete anos de curso. Portanto, continuo com o vocabulário de uma criança alemã de dois anos de idade. Mas, ontem fui numa palestra e o palestrante falou umas três frases em alemão. Entendi umas seis palavras e estou toda contente.

* * *


Há uns quatro meses, quando revelei minha intenção de emagrecer, com objetivos vários, minha médica disse que hoje havia alguns medicamentos que poderiam ajudar na empreitada. Como eu, em todos esses anos de vida, somente devo ter tomado umas duas cartelas de boleta - e a experiência desastrosa, creio, foi aqui relatada, de pronto rejeitei a sugestão. Ela me convenceu de que os dois não trariam efeitos colaterais importantes e eu poderia tomá-los sem receio. Me receitou, então, Sibutramina e Xenical.

A Sibutramina, baratinha, comprei e deixei na caixa até voltar a vontade de emagrecer novamente. O Xenical não cogitei de comprar, por achar que o custo é muito alto para o tipo de benefício que pode trazer (na minha valoração pessoal, sure, conheço quem obteve ótimos resultados usando o remédio).

Há quase três semanas, comecei a tomar a Sibutramina. Minha médica recomendou que ingerisse uma pílula por dia, até às 10 da manhã. E é o que tenho feito. Senti uns dois efeitos colaterais absolutamente suportáveis - minha boca fica muito seca (o que me estimula a tomar água - e isso é bom!) e fico mais suscetível a dor de cabeça (se, por exemplo, abusar na frente do computador). Num dia, tomei por volta das 11 da manhã e senti que houve prejuízo à qualidade do sono à noite, então, adotei como regra que, se não lembrar até às 10, só tomo no dia seguinte mesmo.

A parte boa, contudo, tem sido extremamente compensadora. A compulsão, especialmente por doces, foi embora. Nos últimos meses, talvez por conta da ansiedade gerada pelo excesso de trabalho, estava comendo naquele esquema de quem quer tampar um buraco negro sem fim. Depois da Sibutramina, isso passou.

Que fique claro o seguinte: ela não tira o apetite, portanto, quando vai chegando a hora de cada refeição, a fome aparece. Mas a vontade de comer é proporcional à medida da fome. Não rola o entupir-se. Ontem constatei isso, de um jeito muito legal. Fui a um jantar e, depois de me servir dos salgados, senti que não sobrou nenhum espaço para um doce - e os doces eram espetaculares. Maravilha das maravilhas, os recusei sem nenhum tipo de remorso, pois não tinha sobrado espaço para sobremesa.

A idéia é, portanto, continuar tomando a pílula da serenidade (como passei a chamá-la), até conseguir atingir minha meta de peso saudável ou, pelo menos, até ter aprendido a interagir com equilíbrio com os alimentos.

* * *


Eu e namorado, desde o início do namoro, acalentávamos sonhos de domingos nos parques, nas ciclovias, enfim, ao ar livre. Ele tinha uma bicicleta; eu, não. Aí chegou o natal e ele comprou uma para mim, de presente. A intenção, diz ele, era comprar uma cor de rosa, mas a vermelha que ele achou tinha cestinha na frente, então, acabei ganhando a vermelha. Vou deixar de lado a narração da alegria infantil que me invadiu diante desse presente tão doce, tão carinhoso, para dizer que o plano de domingos especiais tem sido deliciosamente concretizado.

* * *


Há algumas semanas, fiz uma coisa muito legal por mim. Me coloquei no lugar de uma pessoa que, acho, me odeia. Ou, pelo menos, age como se isso fosse verdade. E pensei o que, nesses anos de convivência com ela, poderia ter feito para despertar esse sentimento. Ao contrário do que imaginava fosse possível, identifiquei pelo menos umas cinco causas. E, fazendo isso, estou conseguindo mudar de postura em relação a essa pessoa. Não se trata de uma política de conquista, porque, francamente, eu também tenho uns cinco motivos para não querer proximidade. É, na verdade, uma tentativa de convivência pacífica, que, se bem sucedida, vai me fazer um bem danado.

* * *


Namorado está viajando há mais de duas semanas. E passei os últimos três fins de semana sem ele. É engraçado como a ausência de alguém pode nos fazer sentir desconectados da realidade.

* * *


Há pouco mais de um mês, me contaram algo que confirmou suspeitas mantidas aqui comigo há alguns anos. Geralmente, quando confirmamos nossas impressões a respeito de alguém ou de alguma situação, sentimos, no mínimo, alívio, afinal, essa confirmação significa que o instinto está funcionando perfeitamente. Nesse caso, contudo, a confirmação me deixou surpresa, enojada, triste, solidária. Tem coisas em relação as quais seria melhor que estivéssemos completamente errados.

* * *


Os bebês mais lindos do mundo estão, agora, quase com sete meses. Para desmontar completamente o coração dessa tia coruja, elas agora sentam sozinhas, assistem filminho próprio para a idade e, em determinados trechos, batem palminhas e riem lindamente. No último sábado, tive direito a uma sessão de mais ou menos quatro horas com essas e outras fofuras. O suficiente para sentir o coração bombando caramelo quente para o resto do corpo.

* * *


Você sabe o que é acordar na segunda-feira disposto para trabalhar? Eu não sabia, mas estou reaprendendo.



:: postado por Menina de 30 #1:26 PM


Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Do que passou.E do que ainda está por vir.


Tinha a firme intenção de escrever uma bela lista, cheia das coisas que aconteceram esse ano, e daquelas que ainda espero ver acontecerem. Depois de muitas tentativas, nada acontece, contudo. Não porque esse ano foi enfadonho, ou porque tenho poucas expectativas em relação ao próximo. É muito mais simples do que isso: estou feliz. Feliz, feliz, feliz. Não uma felicidade em neon e purpurina e para ser gritada em megafone. É uma felicidade cintilante, e silenciosa, e serena, e cheia de borboletinhas na barriga, e que anda de mãos dadas com uma esperança bonitinha do que vai ser o futuro. Então, tudo o que posso dizer desse ano é que saio dele embalada na sensação de que absolutamente cada momentinho valeu a pena. E tudo o que espero do próximo ano é que Deus mantenha meu coração bem quentinho, do jeito como o sinto agora.

Love you. Be happy



:: postado por Menina de 30 #8:35 AM


Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

Tempo.
Em termos muito práticos.


A idéia começou a se formar, por aqui, há uns dois meses. E agora ganhou contornos definitivos. Vivi, nos últimos três anos, uma vida tão corrida, mas tão corrida, com uma carga de trabalho tão absurda - no melhor estilo três expedientes por dia, três empregos por vez, que o significado do tempo, para mim, ganhou outra dimensão.

Por ter tantíssimas coisas para fazer, meu tempo parece um pouco a história da multiplicação dos pães ou mutação esquisita da lei da física segundo a qual dois corpos não podem ocupar, ao mesmo tempo, o mesmo lugar no espaço.

Como todos, estou sujeita a dia com duração de 24 (vinte e quatro) horas. Algumas delas, precisam ser dedicadas ao descanso, e mais especificamente ao sono, pois ainda não descobrir um jeito de sobreviver ao meu ritmo, sem conseguir dormir. Mas, esse ritmo me fez diminuir as horas dormidas. Agora são menos. Se antes ficava um caco com menos de oito horas de sono, hoje é raro o dia em que eu consigo chegar a tudo isso, mesmo que seja fim de semana, mesmo que eu possa dormir mais. Minha média desceu para seis horas, quando, empolgada com algum livro (que só consigo ler na cama), não acabo indo dormir mais tarde e diminuindo para quatro ou cinco horas. Outras horas são dedicadas à alimentação. E têm sido horas porque, para praticamente todas as refeições, saio de casa. O estresse mina qualquer inspiração para culinária, portanto, não sobra outra opção. Quase todas as outras janelas sobrantes têm sido preenchidas com trabalho, que vai desde enviar e-mail, até orientar a diarista, acertar os detalhes chatos da viagem de férias, fazer compras - e orçamentos - para casa, falar com clientes, escrever, estudar alemão para prova escrita e oral, etc.

Claro. Há espaços, no meio disso tudo, para fazer nada. São eles compartilhados com namorado, na maior parte. E isso tem sido um paliativo. Do lado dele, tenho conseguido relaxar um pouquinho, ficar bem, esquecer da correria. Mas, em mais de uma ocasião, dormindo com ele, acordei no meio da noite, pensando em coisas que precisava fazer no dia seguinte, em outras que estavam pendentes, enfim, com ataques sérios de ansiedade, que se transformaram em horas de insônia.

Sim. Hoje, há pouco tempo, e muita coisa para fazer com ele. E isso me angustia, e provavelmente tudo melhorará no próximo ano. Mas, enquanto isso, porque sobreviver é preciso - como navegar, preciso fazer malabarismos.

Por isso, falo no celular no trânsito, para contrariedade minha (virei colecionadora de multas por conta do hábito nefasto) e de outros (namorado fica à beira de um ataque nervoso quando uso o celular no trânsito). Entre uma atividade e outra, para "relaxar", respondo mensagens por e-mail. Faço relatório escrito de todo caso novo em que preciso atuar - para o caso de vir a precisá-lo depois e me ver na situação de analisar toda a documentação de novo. Deixei de lado, por tempo indeterminado, os pensamentos angustiantes ou dolorosos, que me fazem perder (tempo e) o caminho. E me estresso absolutamente com quem, no meio disso tudo, não consegue respeitar minhas limitações quanto ao tempo.

Sim. Hoje, há pouco tempo, e muita coisa para fazer com ele. E isso tem sido difícil - além de me custar caro demais, mas há de melhorar. Antes que eu resolva chutar algumas coisas, ou absolutamente tudo, para o alto, e ver o que acontece.



:: postado por Menina de 30 #12:54 PM


Terça-feira, Novembro 04, 2008

Eu te amo


E te amo, em primeiro lugar, porque sim. Te amo porque somos tão diferentes um do outro, e ainda assim me sinto ligada a você como jamais estive em relação a qualquer outra pessoa. Te amo porque foi fofo o jeito como nos conhecemos, e nos aproximamos, e nos apaixonamos. Te amo porque, contra - e apesar de - todas as dificuldades que enfrentamos, sempre prevaleceu a vontade de estarmos juntos. Te amo porque, a cada encontro marcado, ainda sinto frio na barriga, quando se aproxima a hora de te ver. Te amo porque já vivemos tantas aventuras - umas simples, outras mais complicadas; umas baratas, outras mais carinhas - e hoje temos um belo portfólio da nossa história. Te amo porque você é genuinamente bom, e honesto. Te amo porque o teu colo é o melhor colo do mundo, e você sempre tem as coisas certas para me dizer, quando não estou bem. Te amo porque você sempre diz não, antes de dizer sim. Te amo porque você tem o bumbum mais lindo ever. Te amo porque, às vezes, no sofá da sala, enquanto eu estou lendo, você assiste futebol, mas fica segurando minha mão bem apertado. Te amo porque você tem medo de andar de avião. Te amo porque você, como eu, adora cinema, e agora dividimos alguns hábitos consumistas muito divertidos. Te amo porque, no domingo de noite, você curte ir comigo ao mercado, e escolher coisinhas para a gente saborear durante a semana. Te amo porque, em qualquer restaurante italiano que a gente vá, você sempre pede massa à bolonhesa. Te amo porque você tem mania de arrumação, e fica angustiado quando tudo tá de cabeça para baixo. Te amo porque você me ensinou a gostar daquele seriado - e a música tema sempre me lembra o início do nosso namoro. Te amo porque, da primeira vez que você disse te amo, parecia um desabafo. E, da primeira vez que eu disse que te amo, você se mostrou tão imensamente aliviado. Te amo porque você me faz sanduíches deliciosos e inventivos, quando chego cansada em casa do trabalho. Te amo porque te vejo crescendo, mais seguro de si, mais ambicioso, mais determinado. Te amo porque você adora usar bermuda, e fica verdadeiramente feliz nos dias de sol. Te amo porque você, aos poucos, foi se apegando à minha família, e agora, aos domingos, é você quem liga para eles, para combinar o almoço. Te amo porque você me ensinou a não ter pressa. Te amo porque, nessa última mudança importante, você foi o primeiro a me dar apoio. Te amo porque já faz um ano. Um ano. De nós dois.



:: postado por Menina de 30 #11:10 AM


Domingo, Outubro 26, 2008

Bem devagar.
Para dizer que voltei.


Não, não estou grávida. Pelo menos até a data de hoje. Pelo menos até onde sei. E quando tiver, podem deixar: eu grito bem alto para todo mundo ouvir, porque esse é o tipo de notícia que merece uma tal reação. Believe me.

Nas últimas semanas, e até o final de dezembro, têm sido três períodos de trabalho por dia. De manhã, de tarde e de noite. O que deve dar uma média de 12 horas diárias, com direito a hora extra nos fins de semana, para a média não subir muito. Apesar disso, estou em paz e trabalhando num ritmo de produtividade muito harmônico - isto é, conseguindo dar conta das responsabilidades, com qualidade. Às vezes, quando tudo fica confuso e nada dá certo, a gente pensa que escolheu mal. Às vezes, quando tudo se ajeita milagrosamente apesar das dificuldades naturais, a gente percebeu que escolheu bem.

Mamãe nos deu outro susto recente. Um bem grande, que não passou por completo, inclusive. Parece que quer nos ensinar o que significa ter um referencial de desespero maior para lembrarmos quando estivermos diante dos menores.

A cada dia que passa, e a cada decepção, nasce aqui dentro uma idéia, aliás, mais do que isso, uma promessa. Tem uma parte de mim que ninguém mais vai ver. Ela vai ficar escondidinha, embaixo de muitas e muitas camadas de verniz, tantas camadas quantas forem necessárias para ela não conseguir mais vir à tona, pelo menos diante de quem ainda não sabe de sua existência, pelo menos diante de quem não lhe soube dar valor. É engraçado como Darwin parece sempre tão atual.

Aliás, por falar em decepção, acabo de descobrir uma nova modalidade, depois de pensar (ridiculamente, ingenuamente) que já conhecia todas. É o tipo que emudece, que seca os olhos, que vira o rosto em outra direção, que prefere não ser explicada ou entendida ou superada ou comentada. Certos aprendizados parecem tão despropositados...

Deve haver, mas eu desconheço, algo que desperte sensações mais ternas do que ficar, por três horas, na companhia de três lindas bebêzinhas trigêmeas, com direito a fazê-las dormir no colo, apertá-las bastante e admirar suas bochechinhas coradas longamente. Uma tal sessão de carinho sem ter fim, apesar de ter efeitos físicos evidentes, deixa o coração leve, leve, leve.

Sou o tipo de entendida em economia que se pergunta: mas, se os Estados Unidos é que estão na crise, por que a moeda deles valoriza e a nossa vira uma piada sem graça nenhuma (especialmente para ex-futuros turistas desesperados)?

Dia desses, fui conhecer a sede nova de um restaurante antigo aqui de Curitiba. Ficou linda. Ambiente gostoso, acolhedor e o mesmo bom atendimento de sempre. Preços novos também, como era de se imaginar, porque alguém precisa pagar pela mudança. Mas, o cardápio está igual a antes, não apenas quanto ao conteúdo, mas também à exibição: são as mesmas folhinhas gastas usadas na sede anterior. Isso é o que chamo de desperdício de oportunidade.

Depois do ódio inicial, por ter perdido uma hora de sono vital para minha sanidade, agora até estou gostando do horário de verão. Culpa de namorado, que tem planos ciclísticos noturnos pra lá de deliciosos para o verão. Ai, ai...



:: postado por Menina de 30 #9:57 PM


Quinta-feira, Outubro 02, 2008

R-E-V-I-R-A-V-O-L-T-A


Um dia eu conto em mais detalhes. Prometo. Por ora, só o registro de que D. Vida andou dando umas piruetas fortes por aqui, de modo que está de ponta cabeça, tudo revirado. Fora a zonzeira, o espanto, o estarrecimento, está rolando incontrolável frio na barriga. Vocês não têm noção. Nenhuma. Nenhuma. Nenhuma.



:: postado por Menina de 30 #3:32 PM


Quarta-feira, Setembro 17, 2008

Eu tenho medo


De vez em quando me dá de querer escrever sobre o medo. Sou uma pessoa que tem muitíssimos medos aqui escondidos, sob camadas e camadas de maquiagem sentimental, maquiagem essa que ora chamo de falsa segurança, ora chamo de falsa sensação de ser bem resolvida, ora chamo de tô nem aí...

Alguns medos, é verdade, consegui superar. O de dormir sozinha é um exemplo. Lembro de, uma vez, ter passado a noite em claro, lendo, por medo de adormecer num apartamento sombrio, quando todas as minhas roomates tinham ido dormir fora com os respectivos namorados. Outro medo que tinha era o de não conseguir encontrar alguém assim certinho para mim, de jamais viver uma história de amor plena, correspondida, cheia de sonhos compartilhados e planos para o futuro. De um jeito muito engraçado, depois que eu aprendi a conviver pacificamente com esse medo, apareceu alguém com quem hoje eu tenho conseguido viver uma história assim. E o medo que tinha, de cabeça baixa, está indo lentamente embora.

Mas tem outros medos que, puxa vida, cada vez que olho, chego à mesma conclusão: eles vão viver aqui dentro para todo o sempre. Um deles, talvez o maior, é o da mediocridade.

Eu tenho medo de ser - e de levar uma vida - medíocre, sem perceber.

Eu tenho medo de um dia acordar, e me deparar com uma vida que tenho por não ter tido coragem de escolher outra. Eu tenho medo de não viver plenamente minha capacidade profissional - e nesse dia do despertar me dar conta de que estou enfiada num emprego de que não gosto, ganhando pouco, sem motivação nenhuma, enfim, trabalhando apenas para sobreviver. Eu tenho medo de me arrepender das escolhas que fiz no passado - e buscar remediá-las, meio que tateando às cegas - só porque não consegui trilhar um caminho diferente. Eu tenho medo de passar a amar por conveniência, sem enxergar o outro que está ao meu lado. Eu tenho medo de ser olhada com pena, por quem está ao meu redor. Eu tenho medo que esse olhar de pena, um dia, venha das pessoas que gostam de mim e se compadecem das minhas escolhas tortas. Eu tenho medo de, realizando-se todos esses medos, não haver uma só pessoa perto de mim que me segure nos ombros, me olhe nos olhos e me diga as verdades que preciso ouvir para me sentir viva de novo. Eu tenho medo de, decepcionada com quem me tornei, acabar me cercando de relacionamentos superficiais, em que seja fácil esconder a pessoa que deixei de ser. Eu tenho medo de olhar no espelho e não me reconhecer. Eu tenho medo de tentar fingir que sou feliz, até para mim mesma. Eu tenho medo de não me dar conta dos sonhos de que abri mão. Eu tenho medo de que a mediocridade me encubra, e entre pelos poros em mim, e se instale na minha derme, e fique alojada no pulmão, e amorteça meu cérebro.

Eu tenho medo de não ser tudo o que eu poderia - e me ver condenada a passar o resto da vida debruçada sobre o desperdício do que fui.



:: postado por Menina de 30 #7:28 PM

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