As aventuras diárias de uma mulher que já chegou aos 30, em cima do salto (do alto de um tamanquinho cor de rosa choque!) e FELIZ DA VIDA. Críticas, sugestões, experiências a compartilhar, receitas de pratos saborosos, por favor, escreva para meninasde30@yahoo.com.br.

Se eu fosse você ia lá olhar as coisas que ele vê quando olha para o céu...

Vou aqui e leio sempre (apesar de nem sempre comentar)...:

A patifariatotal
Balanço de dez em dez
Drops da fal
Enfim
Escrevira
Focando
Garotas que dizem ni
Lucidez embriagada
Mme. Mean
Mafalda Crescida
Megazona
Megeras Magerrimas
Mondo Redondo
Ninguém lê essa porcaria
Não discuto
The Garden
Urdidura

Pelo menos uma vez por dia...:

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MENINAS DE 30



Sexta-feira, Julho 04, 2008

Neo-bleargh-nazismo


Faço parte daquele grupo de pessoas que, até hoje, não superaram muito bem aquele período atroz da história mundial relativo à segunda grande guerra mundial. Acho que somos maioria, não? Claro, nem todos, como eu, têm ainda hoje uma fixação pelo tema que vai ao ponto de "devorar" filmes e livros a respeito. Vários, como eu, ainda não esqueceram do que aconteceu. Mas, espero, muitos andam preocupados com essa evolução, nos países ocidentais, desse movimento neo-bleargh-nazista.

Para muitos, sem dúvida, se trata de uma tendência da vida em sociedade. A moda está aí para mostrar. Versões novas de modelos clássicos de outras décadas são o tempo todo reinventadas, para alegria geral. A recriação em cima de paradigmas de outras épocas acontece o tempo todo, por conta, no meu modo de ver, de um saudosismo tocante. É legal ressuscitar alguns modelos (inclusive de pensar) para lembrar o que, de bom, eles fizeram por nós. Mas enquanto esse movimento revival da moda é glorioso, a ressurreição do pensamento nazista somente traz medo - e desesperança, e incompreensão.

Há algumas semanas, foi publicada reportagem em revista alemã, na qual se noticiava o incêndio a estabelecimentos comerciais de imigrantes na Alemanha. Essa prática se tornou tão comum que as seguradoras já não aceitam tal perfil de clientes. E, portanto, os proprietários desses negócios vivem sob o risco permanente - e altíssimo - de perderem tudo o que construíram de uma hora para outra, aliás, o medo de perderem suas próprias vidas, em função do ócio pouco criativo de jovens alemães que resolveram fazer da intolerância um estilo de vida.

Lamentavelmente, há versões nacionais do mesmo incidente. Ataques a homossexuais, nordestinos, negros, pobres são mais comuns do que gostaríamos. Diria até que já não nos causam tanto choque quanto antes. Basta pensar na reação de choque mundial que houve por conta do massacre na Candelária e no Carandiru, há pouco mais de dez anos, e naquela, chocha, diria, que vimos em relação aos fardados que entregaram membros de uma facção criminosa à outra para tortura, em que pese o apelo desesperado de tantos presentes (inclusive mães, inclusive idosos) para que não o fizessem.

A síntese disso tudo é de uma incoerência assustadora. Inventamos celulares que fazem video-conferência, fogões que funcionam sem gás, internet wireless, mas nos sentimos no direito de não aceitar quem o outro é. Vivemos relações abertas, casamentos em casas separadas, somos pais e mães solteiras sem nenhuma crise, e na essência nos sentimos no direito de julgar - e condenar - o outro porque ele é diferente de nós. A era da tecnologia é também a da intolerância.

Perdemo-nos do outro. Estamos nos brutalizando a cada dia. E isso não é exclusividade de quem usa suásticas para marcar o corpo. Somos nós mesmos néo-bleargh-nazistas cada vez que esquecemos nossa origem comum: somos todos humanos e igualmente dignos de respeito.

Perdemo-nos do outro. E é tão fácil ver que estamos nos perdendo com velocidade crescente de nós mesmos. Nessas horas parece que o mundo precisa mesmo acabar.



:: postado por Menina de 30 #12:08 PM


Quarta-feira, Junho 25, 2008

Balance


Desde que voltei da viagem de férias, resolvi que precisava achar uns projetos meus, só meus, que me tivessem como diretora, roteirista e leading actress, se é que vocês me entendem. Não por acaso, foi logo depois da "lua de mel" em paraísos distantes. Acho que precisava desesperadamente desses projetos para não cair no que sempre considerei uma armadilha particularmente dolorosa: viver em função do outro, em função do amor.

Movida por tal objetivo, coloquei em prática um primeiro plano que vinha sendo adiado havia muito tempo: comecei o curso de alemão. na verdade, importante mesmo era voltar a estudar. Acho que pertenço a uma categoria especialmente nerd de pessoas que sentem falta de ser alunas, ou, para colocar de outro modo, sentem falta de aprender. Abra-se aqui parênteses para registrar que uma das minhas cinco coisas preferidas na vida é essa - aprender coisas novas (que vão desde receitas até teorias jurídicas complicadas e intrigantes...). Parênteses fechados, quero dizer que faltam duas aulas para que eu conclua o primeiro nível do curso de alemão. Eu não faltei uma aula sequer, apesar de estar cursando aos sábados de tarde, horário que, convenhamos, é particularmente desafiador. Além disso, tão empolgada estou com o estudo da língua, que resolvi fazer um intensivo de férias, para adiantar um nível. Nasceu, definitivamente, uma paixão. E amo muito tudo isso.

Um traço característico da minha personalidade, sem dúvida, é o efeito dominó que certos projetos e acontecimentos têm sobre mim. Explico: se estou numa fase ruim em relação a algum aspecto da vida, rapidamente os outros são contaminados e me vejo, muitas vezes, num mato sem cachorro, precisando de medidas urgentes para evitar o caos completo. Felizmente, o contrário também ocorre: as mudanças positivas em relação a algum aspecto da vida também contaminam, para o bem, outros. Nesse caso, eu e Terapeuta dizemos que entro na minha fase saudável. Digo isso para explicar que a alegria por estar me dedicando ao curso de alemão me inspirou outras mudanças positivas.

Olhem só que legal: acabo de contratar uma profissional (aliás, uma super profissional) para me ajudar com um plano que existe aqui dentro, acreditem, há mais ou menos cinco anos. Correr. Aliás, o objetivo maior era encontrar uma atividade física que me desse prazer verdadeiro e, portanto, se sustentasse a longo prazo. Fui campeã nas várias modalidades de "abandono de academia" por vários anos, desde a adolescência. Mas, como muitos, depois dos trinta anos, comecei a pensar um pouco mais a longo prazo, e cheguei à conclusão de que, se não cuidar com carinho desse corpinho (ora mais rechonchudo do que o desejado), em vinte anos vou ter uma vida que não me apetece absolutamente. E, muito embora ainda não tenha sido cuidadosa o suficiente para fazer um plano de complementação previdenciária, resolvi investir em saúde. Reconheçamos, é um início promissor.

Aliás, promissor é a palavra do momento, também em relação a outra faceta importante da vida: a profissão. Ao longo dos últimos meses, vi florescer uma atividade que, no início, enxerguei como um "bico". O "bico" tem se revelado especialmente interessante, inclusive do ponto de vista financeiro. Redes de contatos importantes têm sido tecidas, a me inspirar a idéia de que, talvez, em relação a ele, precise ser mais empreendedora. Por outro lado, recebi dois convites inusitados, que enxergo como reconhecimento de alguns papéis aos quais tenho me dedicado há mais tempo. Um deles, vou precisar rejeitar, pois do contrário não vou conseguir dar conta de tudo. O outro já aceitei. E agora falta pouco para concretizar a nova empreitada.

A parte engraçada (ou, melhor dizendo, curiosa) é que, paralelamente a todas essas mudanças, precisei dedicar grande atenção à minha relação. Grandes desafios apareceram. Desafios, diga-se, é palavra aqui usada como sinônimo de grandes dificuldades. Me vi obrigada a repensá-la, a ver se valia a pena e se estava disposta a investir nela com a mesma intensidade com a qual tenho feito em relação a outros aspectos da vida. No meio de tudo isso, tanta insegurança, angústia, e muitas lágrimas. No meio de tudo isso, a decepção quanto a outras relações, antes tão importantes (mas isso é tema para outro post, que ainda não estou pronta para escrever). No meio de tudo isso, a sensação inacreditável de estar amando - e ser amada, apesar das dificuldades, apesar dos ajustes necessários.

Terapeuta diz que a vida responde ao que pedimos com muita precisão e imediatismo. No início do ano, pedi a ela que favorecesse o reencontro com algumas paixões não românticas. Isso aconteceu. Agora estou fervilhando por dentro, apaixonada e apaixonada. Feliz de olhar para o horizonte e ver tantas perspectivas. Assustada de olhar para o horizonte e ver tantas perspectivas. E pensando, confesso, que esse tal de equilíbrio é como o paraíso prometido - a gente acredita que existe, mas duvida o tempo todo se vai conseguir chegar lá.



:: postado por Menina de 30 #10:40 AM


Quinta-feira, Junho 12, 2008



"Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho."

Imagem extraída de http://www.lzrjvisao.blogger.com.br


:: postado por Menina de 30 #11:35 AM


Terça-feira, Maio 27, 2008

Conceitos



Meu conceito de alegria envolve, finalmente, finalmente, conseguir comprar uma bolsa, de cor há muito desejada, de tamanho aceitável.

Meu conceito de traição na amizade envolve o(a) sedizente amigo(a) ir para Pernambuco e não trazer bolo de rolo para mim. Anotaram aí?

Meu conceito de paciência envolve esperar que passe a confusão alheia a respeito de questões que, para mim, parecem tão claras.

Meu conceito de caos envolve uma cama completamente soterrada sob praticamente todas as roupas do guarda-roupa, e um saco de dormir tabajara armado no tapete da sala.

Meu conceito de mau-humor envolve o envio de duas mensagens por e-mail, secas, cortantes e impensadas, no espaço de doze horas.

Meu conceito de generosidade envolve dar oportunidade para alugação às pessoas que, claramente, estão muito a fim de se alugar.

Meu conceito de felicidade envolve a lembrança de um domingo à tarde, há mais de cinco meses, sob um sol quente, com um visual casual, num cenário que acho particularmente tocante.

Meu conceito de medo envolve lidar com perdas, das mais diversas, das mais específicas.



:: postado por Menina de 30 #1:11 PM


Quinta-feira, Maio 22, 2008

Últimas vezes


A última em que eu confiei nele assim com toda força, e coloquei em suas mãos meu coração, foi numa quinta-feira, no final de novembro, há quase oito anos. Fazia três semanas que não nos falávamos, porque ele simplesmente parou de atender ao telefone e responder a e-mail. A ausência foi se prolongando, se prolongando, até o momento em que se tornou insustentável. Eu precisava, com meus próprios olhos, me convencer de que era só descaso - puro e simples. Eu precisava parar de acreditar que alguma catástrofe irremediável se abateu sobre a vida dele, depois daquele dia perfeito, na cidadezinha mais romântica de todas.

Decidida, cheguei ao seu escritório às onze da manhã. A secretária pediu que eu esperasse, pois ela tentaria entrar em contato. Não me respondeu nada. Esperei por ele quatro horas inteiras e outros tantos minutos, sentada num sofá em couro preto impessoal. Na medida em que o silêncio parecia estar prestes a se tornar definitivo, meu coração ia diminuindo o ritmo das batidas. Já perto das quatro da tarde, ele me ligou. Era a primeira vez, depois de todo aquele tempo de espera por um sinal de vida. Ligou para dizer que eu deveria tê-lo avisado que ia procurá-lo com antecedência. Como não o fiz, ele marcou uma viagem - e estava, aliás, ligando da estrada enquanto se dirigia para seu suposto destino.

Enquanto ouvia tudo aquilo, naturalmente, o temor de que alguma coisa séria tivesse acontecido passou. Quase se transformou, confesso, na vontade de que tivesse sido assim. Fui, então, até o banheiro do escritório e chorei umas tantas lágrimas silenciosamente, com a ajuda de uma toalha que pressionei contra a boca, para abafar os soluços. Passei o pó que, diligentemente, tinha colocado na bolsa. Retoquei o batom. Saí sorridente, agradeci à secretária e me dirigi à estação de trem. Na viagem de volta, não me permiti o mais leve suspiro.



:: postado por Menina de 30 #8:55 PM


Sexta-feira, Maio 09, 2008

Na estante


Poucas coisas são tão reveladoras da nossa história do que aquelas que vão se acumulando no ninho que construímos. Olhando-as, muitas vezes, temos a impressão de ler um diário composto por imagens, que, clichê ou não, valem mais do que muitíssimas palavras. É o que sinto enquanto, sentada no meu sofá, numa manhã preguiçosa de inverno, faço uma inspeção da estante gigantesca da minha sala. Affairs to remember, me vem em mente.

Minha atenção é atraída, quase que imediatamente, para a rosa vermelha, hoje com pétalas abertas quase como se fossem cair, curiosamente inserida num vaso em acrílico transparente, dando a impressão de que está suspensa no ar sobre uma das prateleiras. Ela faz parte da minha vida há, maios ou menos, seis anos. Comprei para colocar na mesa de um escritório onde trabalhei. Desde aquela época - e até hoje, essa rosa traduz a paixão que a advocacia despera em mim. Na estante, enquanto me olha, ela diz olhe bem para mim e entenda que, na sua vida, muitos amores vieram e foram embora, mas um, duradouro, veio e ficou.

Na mesma prateleira da rosa, está uma galinha preta com pintinhas brancas, devidamente rodeada de três pintinhos. É uma obra do artesanato de Porto de Galinhas. Comprei nas últimas férias. Ela está lá para lembrar de um dia perfeito ao lado de Namorado, cheio de sol, carinho, aventura, leveza e promessas...

Embaixo da galinha e da rosa, estão seis taças de vinho tinto daquelas gigantes, em vidro transparente. A aquisição foi há pouco mais de três anos, antes de vir morar sozinha e depois de assistir Sideways. Essas taças expressam o desejo profundo de ter minha própria casa e a felicidade infinita que foi, para mim, conseguir realizá-lo.

No meio da estante, tem uma prateleira de DVD's, com filmes e seriados. As seis temporadas de Sex and The City ocupam lugar de destaque. Para minha surpresa, hoje elas não tentam mais me dizer que a vida de mulherpoderosa.com supera toda e qualquer outra alegria. Em vez disso, me lembram quão difícil - e vazia - é a tentativa de corresponder a um estereótipo, qualquer que seja. Em vez disso, me forçam a perceber que sou feita de muitos pedacinhos, uns poderosos, outros frágeis, uns moderninhos, outros mulherzinhas, uns independentes, outros nem tanto. Sex é para mim sinônimo de uma viagem, iniciada há cinco anos, para o destino mais prazeroso ever...

Ao lado da TV, tem uma caixinha com a segunda temporada de um seriado de que aprendi a gostar com Namorado. Dei pra ele, junto com a primeira temporada, no natal. Estamos planejando a compra da terceira e da quarta temporada para os próximos dias. Olhar para a caixinha com esses DVD's me faz lembrar de uma tarde de domingo, em que assistimos, juntos, a quatro horas de seriado, deitados abraçadinhos no sofá enquanto chovia lá fora. Olhar para a caixinha me faz lembrar de quando ele telefonou, na segunda-feira depois, dizendo que poucas vezes se sentiu tão em paz quanto naquela tarde apertada no sofá. A caixinha traduz felicidade, pura e simplesmente.

Do lado direito da estante, na prateleira do meio, tem uma bruxinha vestida com tonalidades diferentes de roxo e rosa, segurando uma vassoura e com uma carinha engraçada de tão feia. Comprei numa viagem a Roma, há cinco anos. Lá dizem que a bruxinha traz sorte. Não teria outro de pensar nela, contudo, senão como uma prova de que, até hoje, gastei tanto do que ganhei com aventuras encantadoras. E esse é o luxo maior que pretendo manter até o fim dos meus dias, mesmo que isso signifique andar de carro mil forever.

Na mesma prateleira, tem um porta retrato gigante. O maior da casa, aliás. Nele, uma foto em preto e branco da Aninha, linda em seu vestido de noiva, segurando o buquê do casamento. Não por acaso, essa foto está do lado de três esculturas de santos. A foto não é só uma homenagem. Ela serve para lembrar que, há mais de uma década, encontrei alguém que sempre esteve do meu lado. Alguém para quem posso ligar de madrugada, confessando estar perdida. Alguém que faz feijão caseiro, com gosto de comida de vó, e me chama para almoçar sem motivo especial nenhum. A foto tamanho GG, na estante, me diz que Deus, em Sua infinita sabedoria e generosidade, resolveu me mandar um anjo da guarda em carne e osso.

Minha estante, definitivamente, diz tanto. E, não sei se estou num daqueles dias em que penso que o copo está meio cheio, mas acho que ela sempre fala de coisas que eu adoro ouvir.



:: postado por Menina de 30 #1:09 PM


Terça-feira, Abril 29, 2008

Indignação fashion


Já faz um tempo que tenho sido tentada, e agora estou oficialmente borocoxô com essas ondas fashion dos últimos tempos.

Começou com aquele verão horroroso, cheio de cores extravagantes, depois daquele que foi o verão mais lindo e elegante dos últimos dez anos (o de 2006-2007), com todos aqueles vestidos à la Carrie Bradshaw. Tudo bem. Economizei bastante. Comprei peças bem básicas no saldo d'O Templo e segui minha vida rumo ao inverno, com toda dignidade.

Aí, quase ao mesmo tempo, na verdade, começou a história das bolsas gigantes, aquelas apropriadas para carregar barraca de acampar dentro.

No início, confesso, até me empolguei. Tenho duas bolsas grandes (e, NÃO, gigantes), absolutamente deliciosas. Uma é vermelha, em couro com flores em antílope na cor cru. Custou muito, porque de uma marca dessas estilosinhas de editorial de revista. Mas, valeu cada centavo, porque é adorável. Uso com todos os tons de marrom, uso com preto total, uso com branco e jeans. Me divirto à beça com ela. Outra é cor de beringela. Foi uma pechincha. Comprei numa loja de departamento. E ela me permite altos visuais descolados de fim de semana.

Mas, agora, acho que já deu para o saco. Está rolando um festival mega-ultra-hiper brega de bolsas tamanho GG. Não vai passar, caras. São modelos horripilantes, em couro box (no melhor estilo não basta ser gigante, tem que brilhar!), cores diferentes combinadas, alças pequenas. Um horror, um horror. Tão grande que a pessoa mais consumista que conheço (isto é, eu mesma) saiu a fim de comprar uma bolsa e não conseguiu voltar pra casa com uma só, depois de voltinha comprida por seu shopping favorito.

Claro, como baixinha, me sinto especialmente prejudicada pela opção GG. Acho que baixinhas com esse tipo de acessório ficam com cara de sacoleira. A idéia de usar alguns desses modelitos me assusta: tenho medo que alguém pergunte se vendo fiado, para pagamento no final do mês!!! O pior, contudo, é o preço das malditas: nenhuma por menos de R$ 300,00. Estou convencida de que, passada a moda, mesmo que diminuam os tamanhos, os precinhos "camaradas" permanecerão. Querem apostar?

Para completar esse lento processo de indignação, eis que passo por algumas vitrines e me deparo com um modelito de sapato, aparentemente tendência da estação, que mistura bota com sandália. Sim, já tinha visto em desfiles do ano passado. Mas, acho que, intimamente, comecei um movimento de negação. Não queria acreditar que a onda ia pegar. E ela pegou. Forte. Pensando bem, é o tipo de sapato perfeito para as proprietárias das bolsas gigantes bregas...

Minha intenção é hibernar em direção ao verão. Sejam boas almas, por favor. Se alguma coisa de verdadeiramente boa acontecer, antes de ele chegar, me avisem, ok?



:: postado por Menina de 30 #7:01 AM


Segunda-feira, Abril 07, 2008

No tranco


Das pessoas que conheço, terapeuta deve ser o que mais me entende, seja porque ele é ótemo no que faz, seja porque já nos relacionamos há cinco anos. E, com alguma freqüência, ele faz comentários que me deixam sem palavras (para vocês, que me conhecem menos, talvez, digo que isso é RARO). Tem um que mexeu particularmente comigo. Disse ele: você não é impulsiva, menina, você só tem o hábito de tomar grandes decisões assim, no tranco, de sopetão, porque esse é o teu jeito de decidir.

Não sei se ele está 100% certo nessa observação. Reconheço que graaaandes mudanças na minha vida ocorrem, às vezes, de uma hora para outra, pelo menos para quem olha de fora. Por exemplo, no final de 1999, contei para todos que iria morar na Itália para estudar. E menos de um ano depois estava lá instaladíssima, padecendo com o inverno europeu. Lá, aliás, vivendo uma história sólida, estável, junto a alguém com quem havia decidido casar - e largar tudo o que já havia construído profissionalmente para ficar definitivamente em solo italiano - veio outra dessas decisões aparentemente minute maid. Tivemos uma (rara) briga e resolvi voltar para o Brasil no prazo combinado, abrindo mão da história e dos planos abruptamente. Já aqui, outras decisões quetais foram tomadas, de que resultaram novos empregos, novas carreiras, novas amizades, novas parcerias, etc.

Mas, meu processo de tomada de decisão, silencioso e tormentoso, como terapeuta bem lembrou, não é brusco. Pelo contrário, do início ao fim, usualmente demora muito, porque sou do tipo de pessoa que sofre com as mudanças trazidas pelas grandes decisões e, por isso, adio o momento de externá-las.

Consigo enxergar fases muito claras nesse processo. Começa com uma sensação imperceptível, quase intuitiva, de que alguma coisa está errada. Essa sensação vai se intensificando lentamente. Tento, por todos os modos, fazer uma abordagem racional dessa sensação, e assim explicá-la, entendê-la, para ver se ela passa. Se isso não acontece, fico numa fase deprimida, mal mesmo, por constatar que algumas mudanças serão necessárias. Novamente, tento me convencer de que, talvez, não vou precisar mudar, talvez as coisas se resolvam sozinhas. Claro, em relação a algumas situações, isso é impossível. E aí começa um sentimento de incômodo permanente e insuportável. O copo está cheio. Qualquer gotinha faz ele transbordar e a mudança acontecer, nem que seja na marra, muitas vezes com grande sofrimento pessoal pós-decisão. Talvez, por conta desse longo percurso, eu não seja o tipo de pessoa que ameaça. Eu simplesmente faço, sem voltar atrás, na maior parte dos casos.

Não, eu não estou escrevendo para contestar terapeuta. Esse é um post desabafo. Escrevo para (me) contar que, right now, meu copo está cheio de novo. E uma decisão, dolorosa, foi tomada. Chegou a hora do chega. Só que, dessa vez, quero planejar tudo minuciosamente. Etapa por etapa, o que envolve doses cavalares de força de vontade, autocontrole e paciência. Já delimitei onde quero chegar, em relação a uma determinada questão, e agora estou em fase de elaboração da rota de vôo. Coraçãozinho apertado, frio na barriga, mas passos firmes. No tranco ou não, mudanças radicais vêm por aí nos próximos meses. Torçam por mim, porque, mais do que nunca, eu preciso.



:: postado por Menina de 30 #12:14 PM


Quarta-feira, Abril 02, 2008

Talvez, alguns porquês não sejam, afinal, importantes


Esse ser com tendência para rebeldia e insubordinação que habita aqui dentro usualmente não aceita respostas prontas, sem explicação, sem discussão. Porque sim e porque não, evidentemente, nem pensar. Desde sempre, eu preciso entender os porquês. Para me convencer.

O que hoje quero chamar de compulsão pelos porquês influenciou algumas escolhas importantes. A primeira, e mais elementar, foi a religiosa. Apesar de criada no Catolicismo, e de ter participado de todos os rituais dessa religião - desde o batismo até a crisma - não consegui virar uma praticante, apesar de me considerar pessoa de muita fé. A razão não poderia ser mais pontual: a religião católica não me dá os porquês necessários para que eu possa acreditar plenamente nos seus fundamentos e, mais do que isso, para poder entender a vida. Fui buscar na doutrina espírita, Kardecista, esses porquês - e os encontrei ou, pelo menos, os tenho encontrado ao longo dos últimos dez anos. O espiritismo traz respostas que eu consigo entender - e praticar (ou tentar praticar) - porque consegue (me) explicar alguns porquês importantes.

Essa necessidade de compreender os porquês também me levou a algumas escolhas profissionais importantes. Desde a faculdade, sempre fui insistentemente questionadora. Nunca aceitei - ou fixei - os conceitos técnicos que me foram ensinados, se eles, para mim, não faziam sentido. Também os professores, coitados, precisavam me convencer, tarefa que, para alguns deles, deve ter sido prazerosa, mas para outros, certamente, deve ter sido um pé no saco. E, com o passar do tempo, desenvolvi intolerância a chefes ditatoriais, do tipo que pensa que o poder, por si, se justifica. Sou adepta de uma frase atribuída a Freud, mais ou menos assim: não basta poder, tem de convencer. Pelo menos uma vez num passado recentíssimo (isto é, há poucos meses), me desliguei de atividades profissionais para não precisar lidar com os tipos que acreditam ser desnecessário discutir os porquês.

Sem dúvida, é a busca de porquês que me mantém, há mais de cinco anos, em processo terapêutico, quando a tendência natural teria sido parar depois de resolver algumas questões, a exemplo do que fazem tantíssimos pacientes.

Estou longe de achar, contudo, que a compulsão em questão é uma qualidade ou, de algum modo, melhora a vida. Ser questionador é um passo importante, na opinião da grande maioria, para a chatice. Não tenho nenhuma ilusão quanto a isso. Quase todos os meus colegas de faculdade, para dar um exemplo, odiavam quando eu começava a fazer perguntas. E fui considerada impertinente, também, por vários chefes e colegas de profissão, para quem eu deveria assumir o papel de aceitar, sem questionar, algumas idéias ou decisões. Mas, não é disso que quero falar, apesar de confessar um certo arrependimento por ter, tantas vezes, questionado quando seria melhor - ou mais fácil - ter calado.

O que tem me incomodado, nessa busca incessante dos porquês, é o poder paralisante que ela, às vezes, tem sobre mim. Quem é como eu, certamente, já passou por isso.

Tantas vezes, por não entender algum fato, me vejo incapaz de aceitá-lo ou superá-lo. Foi assim com o homem que mais amei na vida. Eu encontrei nele todas as qualidades - e até defeitos - que a mim pareciam essenciais para viver do lado de alguém. Por um período que durou quase dois anos, a vida parava toda vez que ele estava perto. Eu vivia num permanente estado de encantamento ou, para dizer de um jeito bonitinho, minha barriga acabou virando um borboletário. E, verdade (imparcial, juro, agora, depois que tudo acabou) seja dita, ele também agia de modo a me fazer acreditar que eu o complementava. Não havia dia em que não nos falássemos pelo menos uma vez, e durante um certo tempo compartilhamos quase todos os momentos importantes, decisivos para nossa vida. Apesar disso, num belo dia, descobri que não íamos envelhecer juntos. Poupo-lhes de todos os detalhes dessa descoberta, para dizer que fiquei presa nessa história muito mais tempo do que deveria. Simplesmente, não me desligava porque não conseguia entender o porquê de não dar certo quando tudo parecia conspirar para que desse. Passei mais ou menos um ano com essa pira em mente, contrariando todos os conselhos dados por amigas preciosas. Já faz dois anos, o luto passou, eu estou numa outra história romântica. Portanto, estou em condições de afastamento adequadas para entender que, naquele momento, o melhor teria sido parar de perguntar os porquês e seguir adiante, sem olhar para trás. Ou, para falar em termos menos poéticos, tocar o f*da-se para os porquês e me concentrar na necessidade de me afastar completamente do cara.

Preciso dizer que, infelizmente, foram tantas situações parecidas até hoje. Tantíssimas as vezes em que me perdi, procurando os porquês. E percebi que nem sempre compensa a relação custo-benefício nessa busca. Entender os porquês não ajuda a gente a superar a tristeza, a decepção, a raiva, a dor por trás das coisas que acontecem. Até porque, já diria meu terapeuta, o universo é caótico e tanto acontece sem nenhum porquê. Até porque o porquê, como dizem ser a vingança, muitas vezes, é um prato que somente temos condições de comer frio.

Já são trinta e três anos vivendo. E o passar do tempo, ironicamente, tem me ensinado a desaprender algumas coisas, pra ser mais feliz. Uma delas, sem dúvida, é que, em algumas situações, melhor mesmo é reagir, seguindo adiante, mudando o que é preciso, fazendo alguns sacrifícios, sinalizando muito bem os buracos para não cair de novo. Pois, talvez, alguns porquês não sejam, afinal, tão importantes.



:: postado por Menina de 30 #5:19 PM


Segunda-feira, Março 31, 2008

Eu plagiei da Carol, que plagiou do Blowg.
Só porque parece um joguinho divertido.


Coisa que já fiz mas não faria mais: me envolver, de qualquer modo (leia-se: inclusive platonicamente), com homens indisponíveis

Coisa que fazia e deixei de fazer sem mais nem menos: pintar as madeixas de loiro

Coisa que não fiz mas ainda vou fazer:* viajar para a Grécia

Coisa que gostaria de saber: o que realmente quero da minha vida profissional para os próximos anos

Coisa que gostaria de apertar: as bochechinhas de um bebê todo meu

Coisa que gostaria de fazer agora: ir à academia e gastar muitas milhares de calorias

Coisa que me dá ênjoo: viajar de carro com a barriga vazia (leia-se: sem ter comido antes)

Coisa que gostaria de ter: mais força de vontade, mais prudência e mais dinheiro na conta, ops, virou coisas por pura impossibilidade de decidir qual seria mais bem vindo...

Coisa que gostaria de assistir agora: Saia Justa

Coisa que me faz rir: algumas manobras românticas radicais em relação a um certo moçoilo

Coisa que eu gostaria de não ter: medo de olhar pra dentro de mim, em determinados momentos da vida

Coisa que costumo fazer: primeiro levar invertida da vida para, então, tentar resolver alguns problemas

Coisa que vou fazer daqui a pouco: mandar um relatório de um processo para um cliente

Coisa que gostaria de fazer daqui a pouco: passear no shopping e gastar um monte

Coisa que não entendo*: por que meu antivírus implica com alguns blogs específicos, me impedindo de deixar comentários, e é tão simpático com todos os outros...

Coisa que eu queria mudar em mim:* aumentar minha capacidade/disposição para realização dos rompimentos necessários

* Isso foi eu que acrescentei na listinha, por motivos escusos. ;-)



:: postado por Menina de 30 #10:47 AM

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